segunda-feira, 14 de março de 2011
amor ?
Palavra curta, sentimento complexo. Poderei afirmar que esgotámos tudo o que se poderia dizer sobre este 'monstro'. De tanto escrevermos de tanto falarmos. Desde o mero gesto de escrever no mero papel perdido no caderno, a usá-lo em frases feitas, conseguimos esgotá-lo. O que esgotou não foi o sentimento, esse permanece igual, apenas gastamos todas as formas possiveis de o representar. Desde um pequeno coração no fim da frase tirada de uma música da Celine Dion, ao pequeno 'amo-te' no final de uma conversa. Sendo que o amo-te se tornou tão banal como um olá ou um adeus, um beijo é como um aperto de mão que damos aquele colega novo. Banalizamos o que de mais verdadeiro podia existir, esgotamos o que de mais único tinhamos. E agora, pergunto-me ? O que poderemos fazer ? Deviamos cortar o mal pela raiz. Acabar com o dia de S.Valentim, proibir as bancadas de rosas vermelhas, e aqueles banais chupa-chupas em forma de coração. Deviamos acabar com aquilo a que chamam passeios ao pôr do sol, em que caminham junto ao mar de mãos dadas. Acabar com tudo. Com todos os gestos banais que conhecemos como sendo provenientes do 'amor'. A palavra tornou-se como uma fuga para todos os nossos medos e problemas. Um ‘amo-te’ é a palavra mais usada quando não se tem mais nada a dizer. Por isso é melhor acabar com as conversas de chacha, e a marmelada nos bancos de jardim. Deixarem-se de poemas lamechas, e revistas cor de rosa. Acabar com tudo. Passem horas em frente ao televisor, e a jogar computador. Esqueçam o contacto com o sexo oposto. Esqueçam a Cinderela e o Principe, e o viveram felizes para sempre. Esqueçam tudo. Acabem com esse ‘monstro’, acabem com a ‘besta’, acabem com o AMOR.
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