Antes de mais isto é um texto extremamente pessoal, pelo que a minha gravidez e a minha forma de lidar com o 'estar grávida' é exclusivo e não deve ser levado a peito ou generalizado.
Bem, inicialmente isto foi uma gravidez planeada, em setembro de 2017, decidimos enquanto casal que eu deveria deixar de tomar a pílula, nessa altura da minha vida o meu relógio biológico estava realmente no seu auge. Todos os meses uma pessoa ia criando mais espectativas e todos os meses era mais uma desilusão. Derivado a deixar de tomar a pilula a minha menstruação tornou-se super irregular como tal eu tinha atrasos que variavam de dias a semanas, óbvio que uma mulher estando sobre tanto stress e ansiedade acabava por fazer testes de gravidez sempre que o atraso era superior a 15 dias. E mais uma vez desilusão, via as pessoas à volta a engravidar a ter bebés e eu, nada. Passei mesmo à fase da frustração, porquê que existiam mulheres que engravidavam ao fim do primeiro mês sem pilula e eu ao fim de meio ano ainda nada. Claro que passei a ganhar consciencia das coisas, cada corpo é um corpo, e cada organismo tem a sua forma de trabalhar, e ao fim ao cabo eu tomará a pilula por 12 anos. Ao fim de 7 meses ainda nada, mas já não me sentia tão pressionada a tal, já tinha ganho a consciência de que iria acontecer quando tivesse que acontecer. Oito meses sem pilula, um atraso de quase quatro semanas, um teste negativo, dores horriveis, que vim a saber ser contracçoes, levaram me a recorrer a urgência da MAC, expondo a situação mandam-me fazer uma análise a urina, dá - grávida, positivo fraco. Eu estava a perder sangue e as contracções estavam a piorar, após esse exame mandaram-me esperar 1h na sala de espera e só depois me dirigir ás analises para fazer um análise ao sangue. Estive uma hora na sala de espera, totalmente sozinha, visto ter ido sozinha e às escondidas para perceber o que se passava, e não sabia o que pensar, se o teste dava positivo mas eu estava ali a perder sangue porquê esperar mais tempo? Uma hora se passou e lá fui eu tirar sangue, mais uma hora e pouco de espera, oiço o meu nome pelo autifalante da sala de espera e vou novamente ter com a médica, 'pronto está tudo bem este deste JÁ deu negativo' , sinceramente naquela frase não sei o que mais me custou ouvir , se o está tudo bem, se o este JÁ deu negativo, fiquei apática, perguntei o que seria aquilo, e apenas me disseram, 'está a menstruar , como teve dois meses sem menstruação o seu útero está a criar contracções para menstruar'. Estava sem reacção, levantei-me e sai. Na porta as lágrimas corriam-me o rosto, não tinha ideia do que se estava a passar, foi dificil lidar com tudo, mas continuei e informei o meu companheiro apenas que estava a sair dali e que iria ter com ele, mas que estava tudo bem. Claro, que não estava tudo bem, um mês de atraso, um 'falso' positivo, e saiu da maternidade a perder sangue e para as médicas eu poderia descansar que afinal era Negativo.
Tudo me passou pela cabeça, e aquele mês custou mais do que nunca a passar, evitei pensar ou falar no assunto, mas havia sempre algo que levava à conversa de 'e bebés'. Os meses seguiram-se e já não pensava nisso, sem ansiedades, sem pressas, sem pressões, simplesmente já não importava, talvez não fosse a altura certa, pensava eu. Setembro de 2018, bem estava atrasada outra vez, em conversa com a minha amiga, surgiu esse assunto, pelo que me pediu que fizesse o teste, eu ia adiando, disse que esperava mais uns dias, não queria mais uma vez criar esperanças desnecessárias. A ultima vez que tinha menstruado tinha sido dia 2 de Agosto, e estavamos agora a dia 13 de Setembro e nada.Lá fui eu comprar o teste mais simples de todos, aquele dos tracinhos. Liguei a minha melhor amiga e disse que o iria fazer nessa noite. Assim foi , fiz o teste, e só via um traço, enviei-lhe a foto e ela dizia-me que estava a ver um segundo traço mesmo que ao de leve. Era impossivel eu não via nada, era tão ao de leve que poderia ser apenas por causa da urina, arranjei mil desculpas mas, para mim aquilo não era um positivo. Passei a noite em branco sempre a pensar na esteria e na felicidade dela, e no quão estranho era para mim acreditar que aquilo poderia ser real. Nessa manhã eu e o meu namorido levantamo-nos eu sentei-me na cama respirei fundo e disse-lhe,- olha isto não era de todo a forma como eu planeava fazê-lo mas, como nem eu própria sei o que pensar, preciso que vás à farmácia e compres um daqueles testes da ClearBleu que diz as semanas. - ele meio que ainda baralhado, após tomar banho lá foi. Como disse não estava com qualquer tipo de esperanças e era mais um ,descargo de consciência. Lá veio ele com o teste, e lá fui eu fazer chichi para o pauzinho. Fiz o teste pousei-o na bancada e continuei a fazer a minha vida, fui me vestir e quando voltei ao wc para lavar os dentes , tudo me caiu, só se lia Grávida, e o simbolo da ampulheta ainda a rodar. Chamei-o meu namorado, e ele olhou para o teste um pouco apático, e perguntou estás mesmo grávida? eu estava com as lágrimas nos olhos, e apareceu 1-2 semanas, eu disse -sim , parece que sim. Voltei ao quarto e sentei-me na cama, ele continuou a fazer a vida dele e ali estava eu de teste na mão ainda a digerir a noticia, mandei então uma foto do novo teste a minha melhor amiga e ela festejou a confirmação do que me tinha já dito. Ainda demorei a assimilar, mas depois já queria contar a todo o mundo. Decidimos manter em segredo os primeiros 3 meses e apenas contar a familia e a pessoas muito próximas.
Eu estava grávida, ao fim de exactamente um ano, eu estava grávida. Ocorreram um misto de emoções, cada familiar que contávamos cada reacção adjacente tudo isso era muito novo para mim.
Os primeiros 2 meses foram sem dúvida os mais longos, a curiosidade, os medos, os receios. Mas foi ai que o pesadelo começou, era infecções , era hospitais, era gastroentrites, era nervos... Terceiro mês, após tantas consultas, análises, médicos, estava numa gravidez de alto risco. O medo redobrou, tanto tempo para engravidar e não poderia ter uma gravidez mais calma? Em ecos diferentes, davam-me datas de previsão de parto diferentes, e não entendia o porquê. Tudo o que me restava era esperar, estava-se a aproximar a eco da morfológica onde iria finalmente saber o que o meu feijãozinho era, eco marcada para fim de dezembro, mas como pessoa ansiosa que sou, decidi pagar para fazer uma eco 5D , 2 dias antes, dia 27 de dezembro. Foi então nesse dia de manhã que nos dirigimos a uma clinica para saber o sexo do nosso bebé. Deitada na maca, com um ecrã enorme a minha frente onde também estava sentado o meu companheiro, começou então uma das experiências mais bonitas da minha vida, ver um bebé totalmente formado dentro de mim, o que até à uns tempos era o nosso feijaõzinho, tinha agora o corpo de um ser humano pequenino. Ali estávamos nós a ver as suas expressões, os seus bracinhos, perninhas... Estava a abrir a boca como se fosse chuchar no dedo..e de repente a luz da sala ficou côr de rosa, -é uma menina, por muito dificil que seja ver pelo cordão tapar, é sem dúvida uma menina. Queria chorar, era tudo com o que sonhava desde miúda, ali estava a nossa princesa. Mas como em tudo uma pessoa esperou para confirmar na ecografia morfológica dois dias depois. Mal entramos na sala de ecografia, o médico olha para mim e diz 'é uma menina', ri-me e disse, 'é isso que vamos saber hoje.' E assim foi deitei-me e começaram as medições, a ecografia morfológica iria definir o desenvolvimento do bebé mais do que apenas dizer o sexo, e foi ai que mais uma vez o meu mundo deu outro trambolhão. Ali deitada atenta a tudo o que o médico ia dizendo a rapariga que o acompanhava, para escrever ouvi que algo se passava, foi me pedida a primeira ecografia e disseram-me que era impossivel a previsão parto que apresentava e que eu estaria com menos quase duas semanas de gestação, e não só a minha bebe tinha quistos no crânio biolaterais. Mais uma vez não sabia o que pensar, pediram-me para remarcar a eco para umas semanas depois. Sai da sala, sentei-me à espera do exame e involuntariamente as lágrimas começaram a escorrer-me pelo rosto, o que seria aquilo , quistos no crânio? uma nova data ? afinal o que se passava? Eu sabia que dias depois teria consulta no hospital pelo que iria tentar entender o que se passava, assim foi, fui a consulta, expliquei o que se tinha passado e marcaram me uma eco morfológica no hospital. Mais análises e consultas pelo meio, e os enjoos e vomitos que tinham chegado no fim do primeiro trimestre eram agora os meus companheiros no segundo trimestre.
Dia da ecografia, foram me pedidas as ecos já realizadas e ao serem analisadas por 3 médicas diferentes estava tudo bem com a primeira eco e as medidas para a previsão do parto seriam realizadas apartir dela. Assim foi deitei-me na maca e fiz outra ecografia, pois é afinal algo se passa, é 'calona' e muito pequena, realmente a bebé não está a desenvolver. Mas o que se passa afinal, tenho 2 a 3 consultas por semana e vamos fazer eco de duas em duas semanas para ver se desenvolve.
Mais uma eco e sendo que desde a 20ª semana deveria estar no percentil 10, estamos na 22ª segunda e não sai do percentil um. Só quero chorar, que mal fiz eu para a minha bebe não crescer...
Bem com isto as consultas começaram cada vez mais a ser umas atrás das outras, eco da 24ª semana e nada de desenvolver, foi ai que decidiram falar comigo sobre a amniosintese. Estavamos na 24 semana, e deram-me 24h para decidir se iria optar por fazer esse exame ou não, um exame em que temos que preencher 3 folhas de termos de responsabilidade(?), em como o aceitaria fazer, para quem não sabe é um exame em que consiste numa aspiração transabdominal de uma 'pequena' quantidade de fluido amniotico da bolsa que envolve o bebé, exame que 'prevé' verificar se o bebé poderá sofrer algumas das principais deformações genéticas, como por exemplo trissemia 18 ou 21. A questão é que é um exame de risco e que poderá causar abortos espontâneos ou mesmo partos permaturos. E eu tinha então 24h para decidir o que fazer,a gravidez deixou-me mil vezes mais sensivel do que o normal, pelo que pensar no exame com riscos destes só me fazia era chorar, eu pensava e se fizer correr mal, perder a minha bebé e vir a saber que afinal ela era saudável, ou decidir não fazer, e colocar uma criança vegetal ao mundo que nunca poderia ter uma vida digna. Optei por fazer e no dia seguinte lá fui eu, esse exame implicava que nas 24h seguintes ficasse de cama sem me mover a não ser para xixi e higiene, e nas 48h posteriores mexer-me o minimo e indispensável. Deitei-me na maca, e demorou nem 10 minutos o exame , mas para quem disser que não custa, é mentira, é uma agulha gigante que atravessa o nosso abdomen até a bolsa e que com a ajuda da camara ecográfica perfuram para retirar o liquido amniótico. são três tubos largos , cada um para uma fase diferente do exame.O exame acabou e eu estava a suar, despi me, e quis me levantar a correr, a enfermeira veio direita a mim, pediu que ficasse um pouco deitada e ensinou-me a levantar corretamente. Agora sim, seria a prova dos nove, saber o que este exame me poderia trazer, morria de medo que algo acontecesse a minha bebé. Teria que ter uma resposta da primeira fase do exame em 24h , e assim foi, a minha bebé não apresentava qualquer tipo de trissemia das mais comuns, agora teriamos que esperar pela segunda fase, que seriam outras alterações nos cromossomas, tinhamos até as 24 semanas e 5 dias, isto porque me informaram que se quisesse interromper consoante esses resultados eu teria até as 24 semanas e 6 dias para o fazer legalmente. Assim foi, ligaram me no último dia com a noticia que estaria tudo bem. Respirei de alivio, resultados 'positivos' e nada afectou a minha bebé que estava muito mexida. Passado uma semana mais uma ecografia, a bebé estava mais mexida e tinha passado do percentil um para o nove, esbocei um sorriso a ouvir isso, mas a médica informou que não é o suficiente derivado ao tempo de gestação, mas eu estava feliz ao fim ao cabo em duas semanas a minha bebé passou do percentil um para o nove. Na consulta seguinte falamos dos resultados da amniositese, não foi preciso passar à terceira fase do exame que seria de ADN, iria ser um exame aos país para saber se correriamos riscos de cancro, avc e por ai, sinceramente é algo que não entendi pelo que não quero induzir niguém em erro. Foi marcada nova consulta e nova ecografia, ainda não fiz é para a semana, estarei de 29 semanas e 3 dias, e acredito que a minha princesa tenha crescido mais um pouco.
Com isto só quero que as pessoas saibam que nenhuma gravidez é igual, e nem todas temos que estar felizes em estar grávidas, se o meu primeiro e segundo trimestre me deixaram plena e feliz: não. Eu saber que não tenho controlo nas minhas emoções, viver em medo do que possa acontecer na eco ou exame seguinte, não foi fácil, mas sentir a minha bebé a mexer todos os dias, ver a minha barriga a crescer e saber que ela está mais mexida que nunca , fazem que este terceiro trimestre me lembrem o sonho que eu tinha em estar grávida.
Veremos que novidades me trará a nova ecografia, até lá irei amar ainda mais esta pequenina, falar como uma tola para a minha barriga e sorrir sempre que sinto um pontapé em resposta a algo que eu disse.
Até à próxima, beijinhos :)
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